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COISAS DO ARCO-DA-VELHA

(...) O dia de Santa Luzia é um dos dias peculiares do ano, com história e tradição secular. O saber comum diz-nos, por exemplo, que o solstício de Inverno (este ano de 2017, ocorre a 21 de Dezembro, pelas 16:28 horas) traz-nos o começo dos dias a crescer. Na verdade, o dia começa a crescer, com mais precisão, no dia de Santa Luzia. O que não é, assim, tão grande novidade: ‘Depois de Santa Luzia, cresce o dia’…
Ora, a pouco mais de quarenta quilómetros do Porto, para o interior, em Freamunde, existe uma pequena capela dedicada a Santo António que, tanto quanto se sabe, seria um antiquíssimo oratório de ermitão e que, com a constituição de uma confraria, nos começos do século XVII, ganhou notória importância na região, ao ponto do papa Urbano VIII conceder várias benesses e indulgências aos seus acólitos. Já no século passado, em 1934, é transferida para outro local, com terreiro, sem que a sua traça seja alterada e, assim, também se manteve o altar de privilégio que a pequena imagem de Santa Luzia sempre alardeou na capela, com a veneração e peregrinação de muitos e muitos fiéis. Esta devoção, a 13 de cada Dezembro, transformada em antiquíssima romaria rural, ligada pelo nome à advogada dos olhos, estaria na origem de promessas de olhos vivos (animais vivos) que, ao que se diz, parece explicar a sugestiva e singular Feira dos Capões, instituição oficial que remonta a 1719, por provimento de 3 de Outubro desse ano do rei D. João V, realizando-se a primeira feira a 13 de Outubro desse ano. (...)

Apresentações do livro:
S. João da Madeira, dia 14 de Dezembro, 21:30 horas, na Biblioteca Municipal.
Maia, 15 de Dezembro, 19:00 horas, na Biblioteca Municipal.

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PÉSSANGA

(...) Nuno é um desarrumado a falar. Este falar atarantado e emaranhado a que me refiro é bem mais do que um simples descuido, alheação ou qualquer sintoma de dislexia. É um enorme mistifório mental. Quem vive com esta balbúrdia mental parece que põe uma ideia, conceito ou frase, em cima de outra, mistura-as e produz uma dupla ideia, sem ter a noção exacta disso e, pior, enunciando-as seguidas e sem qualquer ordem. O irmão dele é ensaiador no grupo dramático da vila. Em Julho, no primeiro ensaio da peça que vai estrear na próxima semana, ele disse ao irmão, cheio de convicção ‘Gostei! Espero que a peça estoure de sucesso’. Ontem, depois da antestreia, ficou entusiasmadíssimo. ‘É uma peça excelente!’, dizia a toda a gente. ‘Não perca, se puder!’, acrescentava.
O grave - diria até insidioso - neste destrambelho a falar é que, quem ouve nunca tem a certeza de ouvir bem. As frases que se ouvem são assim como bombas de relógio: um tiquetaque cáustico no subconsciente e, de repente, a nossa mente parece que explode com a súbita descoberta de que há qualquer coisa de desfocado no que acabamos de ouvir. (...)

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a minha caixa de antonomásias
canho, apólida, nemetano, retratador, golipão, estupofóbico, nervino, exúbere, vilão, manés, alóctone, testaçudo, curumim, escarolado, querendão, rimador, tartufo, pirrónico, andarilho, filógino, falto, probo, cônscio, morigerado, achegado, revel, pegado, lisproso, gosma. E vianês.


                                                                                                                                                                                                                        2006 copyright™ jorgesteves’