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COISAS DO ARCO-DA-VELHA

A Farrapeira é uma das várias danças típicas de Portugal (há o bailarico saloio, a tirana, a chula rabela, o fandango, a moda das saias, o regadinho, o vira, entre outras), todas com tipicidades tão diferentes que, por vezes, a mesma dança é diferente, nos instrumentos, na coreografia ou mesmo ambos, de concelho para concelho. A Farrapeira é bastante viva, normalmente é dançada de modo arraigado e alegre, e tem a particularidade de não ter refrão cantado, limitando-se ao instrumental que, neste caso, à guitarra, pífaro, harmónica ou gaita-de-foles, permite os improvisos de onde, por vezes, resultam excelentes e inusitadas peças musicais. Que tornam ainda mais cativante a dança, já que ela também vive, e muito!, do marcador que impõe o ritmo ao som de estribilhos brincalhões, chistosos, mordazes, mas sempre cheios de graça.(...)

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PÉSSANGA

(...) Ele tinha sempre uma citação apropriada para qualquer imprevisto acontecimento. Um dia, eu teria quatro ou cinco anos, passeávamos pelo estradão que vai até à margem do rio Minho. Encontramos um agricultor, atormentado, com a carreta empoçada na beira do caminho; o homem vociferava com o infeliz burrico e atiçava-o com um jingoto de medronheiro. O avô aproximou-se do homem, de mãos no ar, abertas, a dizer:
- Ó homem! - a voz saía-lhe pausada, mas tonitruante - você nunca leu a Sagrada Escritura? Devia ter lido! ‘Todo aquele que fere uma besta do campo, fere o amor de Deus. Até mesmo o humilde jumento, porque se afadiga sob o seu fado.’ Pode ler isso, nas Crónicas, 8:3.
O homem, confuso e embasbacado, tirou o chapéu e encolheu-se, um pouco, envergonhado. Foi buscar água para o animal, o avô encostou o ombro à carroça, o camponês empurrou de lado, o orelhudo solevou as orelhas e a carreta lá voltou ao estradão.
Durante muito tempo, eu costumava ir até à estação. Ao fim do dia, quando já não circulavam mais os comboios, por vezes tinha a sorte do avô me levar numa locomotiva, nas manobras para arrumar alguns vagões. Decorrido largo tempo, no remate de uma dessas tardes, dentro do armazém, houve mosquitos por cordas entre dois serventes. (...)

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a minha caixa de antonomásias
canho, apólida, nemetano, retratador, golipão, estupofóbico, nervino, exúbere, vilão, manés, alóctone, testaçudo, curumim, escarolado, querendão, rimador, tartufo, pirrónico, andarilho, filógino, falto, probo, cônscio, morigerado, achegado, revel, pegado, lisproso, gosma. E vianês.


                                                                                                                                                                                                                        2006 copyright™ jorgesteves’