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COISAS DO ARCO-DA-VELHA

(...) Ao cabo de dez dias de viagem, a 8 de Julho de 1832, o rei e mais uns 7500 soldados, desembarcam na praia da Memória. Praia de Pampelido também ou, se quisermos ser mais precisos e recorrendo a uma crónica da época ‘(...) era Domingo e o céu estava azul sem que qualquer nuvem o toldasse. O desembarque fez-se na pequena enseada que serve de porto de abrigo a uns quantos pescadores das redondezas e que, por via de episódios antigos de pirataria, dão aquele lugar o nome de Porto dos Ladrões. Nos primeiros alvores da manhã, o estandarte real, azul e branco, é içado no mastro mais alto da nau Rainha e Portugal, onde viajava o Rei. Logo os outros barcos da armada saudaram o pendão real com salvas de tiros. Pelo começo da tarde as tropas começaram a saltar para o areal e de imediato ali foi cravado um mastro com a bandeira azul e branca que as senhoras do Faial haviam bordado e oferecido a D. Pedro. (...)

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PÉSSANGA

(...) Ele tinha sempre uma citação apropriada para qualquer imprevisto acontecimento. Um dia, eu teria quatro ou cinco anos, passeávamos pelo estradão que vai até à margem do rio Minho. Encontramos um agricultor, atormentado, com a carreta empoçada na beira do caminho; o homem vociferava com o infeliz burrico e atiçava-o com um jingoto de medronheiro. O avô aproximou-se do homem, de mãos no ar, abertas, a dizer:
- Ó homem! - a voz saía-lhe pausada, mas tonitruante - você nunca leu a Sagrada Escritura? Devia ter lido! ‘Todo aquele que fere uma besta do campo, fere o amor de Deus. Até mesmo o humilde jumento, porque se afadiga sob o seu fado.’ Pode ler isso, nas Crónicas, 8:3.
O homem, confuso e embasbacado, tirou o chapéu e encolheu-se, um pouco, envergonhado. Foi buscar água para o animal, o avô encostou o ombro à carroça, o camponês empurrou de lado, o orelhudo solevou as orelhas e a carreta lá voltou ao estradão.
Durante muito tempo, eu costumava ir até à estação. Ao fim do dia, quando já não circulavam mais os comboios, por vezes tinha a sorte do avô me levar numa locomotiva, nas manobras para arrumar alguns vagões. Decorrido largo tempo, no remate de uma dessas tardes, dentro do armazém, houve mosquitos por cordas entre dois serventes. (...)

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a minha caixa de antonomásias
canho, apólida, nemetano, retratador, golipão, estupofóbico, nervino, exúbere, vilão, manés, alóctone, testaçudo, curumim, escarolado, querendão, rimador, tartufo, pirrónico, andarilho, filógino, falto, probo, cônscio, morigerado, achegado, revel, pegado, lisproso, gosma. E vianês.


                                                                                                                                                                                                                        2006 copyright™ jorgesteves’