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COISAS DO ARCO-DA-VELHA

O assunto parece comezinho. Mas não deixará de vir a propósito quando a Medicina tanto recomenda aos doentes a ingestão de vegetais. E, para além disso, até vem ao calhas uma pitada de humor sobre a dúvida da amiga Maria da Graça acerca do que contei sobre a… tripeça.
Ora vejam com tudo se encaixa…
Para isso socorro-me da prosa quinhentista de Duarte Nunes de Leão que, pelo sim e pelo não, sempre vou lembrando que, provavelmente alentejano eborense, viveu os últimos setenta anos do século dezasseis e teria morrido em Lisboa, no ano de 1608; foi um notável jurisconsulto, historiógrafo, glotólogo e desembargador da Casa da Suplicação. A sua obra é rica, embora não vasta, onde ressalta a 'Orthographia de língua portuguesa’ e a ‘Descrição do reino de Portugal’, em cujo prefácio escreve seu sobrinho Gil Nunes de Leão: (...)

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(...) Ele tinha sempre uma citação apropriada para qualquer imprevisto acontecimento. Um dia, eu teria quatro ou cinco anos, passeávamos pelo estradão que vai até à margem do rio Minho. Encontramos um agricultor, atormentado, com a carreta empoçada na beira do caminho; o homem vociferava com o infeliz burrico e atiçava-o com um jingoto de medronheiro. O avô aproximou-se do homem, de mãos no ar, abertas, a dizer:
- Ó homem! - a voz saía-lhe pausada, mas tonitruante - você nunca leu a Sagrada Escritura? Devia ter lido! ‘Todo aquele que fere uma besta do campo, fere o amor de Deus. Até mesmo o humilde jumento, porque se afadiga sob o seu fado.’ Pode ler isso, nas Crónicas, 8:3.
O homem, confuso e embasbacado, tirou o chapéu e encolheu-se, um pouco, envergonhado. Foi buscar água para o animal, o avô encostou o ombro à carroça, o camponês empurrou de lado, o orelhudo solevou as orelhas e a carreta lá voltou ao estradão.
Durante muito tempo, eu costumava ir até à estação. Ao fim do dia, quando já não circulavam mais os comboios, por vezes tinha a sorte do avô me levar numa locomotiva, nas manobras para arrumar alguns vagões. Decorrido largo tempo, no remate de uma dessas tardes, dentro do armazém, houve mosquitos por cordas entre dois serventes. (...)

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a minha caixa de antonomásias
canho, apólida, nemetano, retratador, golipão, estupofóbico, nervino, exúbere, vilão, manés, alóctone, testaçudo, curumim, escarolado, querendão, rimador, tartufo, pirrónico, andarilho, filógino, falto, probo, cônscio, morigerado, achegado, revel, pegado, lisproso, gosma. E vianês.


                                                                                                                                                                                                                        2006 copyright™ jorgesteves’